Time de handebol feminino em cadeira de rodas precisa de ajuda para competir em Santa Catarina

Por Francisco Rosa, Jornalista

Elas já são mais do que vitoriosas na vida e lutam diariamente para vencer também no esporte. As meninas do time de handebol em cadeira de rodas do Ceará estão se preparando para disputar o Campeonato Brasileiro da modalidade, que ocorrerá no mês de setembro, na cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, de 11 a 19 de setembro deste ano.
Até aqui, foram muitos desafios superados, e a equipe precisa da solidariedade das demais pessoas para alcançar conquistas maiores. Para isso, está recebendo doações que custearão, exclusivamente, a participação na competição. O dinheiro será utilizado para comprar as passagens aéreas. Acesse o link e contribua para o desenvolvimento do esporte e da cidadania.

Superação
Entre as atletas de handebol está Shirley Moraes. Ela conta que ficou com deficiência após levar um tiro de arma de fogo durante assalto. O interesse por esporte veio ainda no hospital, por aconselhamento do fisioterapeuta. O profissional recomendou a prática como forma de evitar o sedentarismo.

“No começo, eu era bem dependente, mas por conta do esporte foi melhorando e busquei fazer outras coisas”, explica a atleta que também cursa faculdade de Psicologia. Já são cinco anos de atividades esportivas no basquetebol em cadeira de rodas e, a partir de 2018, também no handebol. “Por ser um esporte novo estamos buscando novas modalidades”, afirma.
Shirley Moraes falou da expectativa para o Campeonato Brasileiro. Para ela, representa a busca de um sonho. “Estamos muito confiantes de ganhar o primeiro lugar.”

A ideia de montar o time
Segundo o professor de Educação Física Samuel Macena, a ideia de montar a equipe surgiu quando ele passou a trabalhar com pessoas com deficiências. “Eu já conhecia esse esporte por meio da faculdade e porque fui jogador de handebol durante mais de dez anos. Realizamos nossos treinos no Cepid – Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência. Iniciamos em meados de março deste ano e trabalhamos com equipes masculina e feminina. Apareceu a oportunidade de elas participarem do Campeonato Brasileiro, em Santa Catarina, agora em setembro.”

Ainda de acordo com o professor da Associação dos Deficientes Motores do Ceará (ADM/CE), será a primeira competição delas e já é de nível nacional. Também representará a oportunidade de convocação para a Seleção Brasileira. “Juntamente ao Campeonato, haverá o treino da Seleção Feminina, uma seletiva. Todas as meninas participarão da etapa de treinamento com técnicos da Seleção e, posteriormente aos treinos e competição, terá a convocação oficial para jogar o Parapan-Americano de 2019. Então, é uma oportunidade única para essas meninas”, disse Samuel Macena.

Desafios
Os treinamentos ocorrem de duas a três vezes por semana, com duas horas de duração. A maioria das atletas vem do basquete em cadeira de rodas e se encontram em processo de adaptação ao handebol. “Elas estão evoluindo bastante, pegando as nuances do handebol. A maior dificuldade tem sido arrecadar dinheiro para as passagens aéreas”, conta o professor.
Por isso, veio a ideia de fazer a arrecadação online e outras ações para ajudar a conseguir dinheiro que será utilizado na locomoção, passagens, conserto de material de jogo e alimentação das meninas. A competição em Santa Catarina é organizada pela Associação Brasileira de Handebol em Cadeira de Rodas (Abrhacar).

O handebol
O handebol é jogado com as mãos e o objetivo é fazer o gol. A modalidade em cadeira de rodas pode ser disputada por times de quatro (regras semelhantes ao handebol de areia para não deficientes) em quadra de basquete adaptada ou de sete atletas (regras parecidas com o handebol tradicional) em quadra oficial, com iguais quantidades de reservas. O goleiro não é fixo. Uma das principais diferenças do tradicional é a altura da trave, que é reduzida para 1,60 m.