Paraolimpíadas: inspiração e superação

Em geral, diversas pessoas que adquiriram alguma deficiência devido a acidentes, por exemplo, encontraram no esporte adaptado o estímulo necessário para dar continuidade à vida. Atualmente, é possível encontrar escolas e clubes preparados para o atendimento desse público, principalmente nas capitais brasileiras. Basquete e handebol para cadeirantes, futebol para deficientes visuais, natação, enfim, diferentes esportes olímpicos.

O esporte adaptado é mais um exemplo dos benefícios físicos, sociais e psicológicos que a atividade física nos proporciona, sem contar as lições de vida que emocionam a todos.

Apesar de excelentes resultados dos brasileiros nas paraolimpíadas e do aumento do interesse nessas atividades, ainda há o preconceito por grande parte da população. O preconceito pode ser modificado através de conscientização e informação. Se colocar no lugar do outro e entender o que acontece na vida de uma pessoa com deficiência faz toda diferença.

O profissional fisioterapeuta tem importante papel quando atuando com pessoas portadoras de deficiência. Ele também faz parte da banca de classificação funcional onde, juntamente com médico, terapeutas ocupacionais, psicólogos e educadores físicos, realiza uma avaliação física e funcional detalhada do atleta para classificá-lo dentro das modalidades paraolímpicas. Antes de participar de qualquer competição, o atleta com deficiência deve obrigatoriamente passar por esta classificação funcional.

Conceitualmente, a classificação constitui-se em um fator de nivelamento entre os aspectos da capacidade física e competitiva, colocando as deficiências semelhantes em um grupo determinado. Isso permite igualar a competição entre indivíduos com várias sequelas de deficiência, pois o sistema de classificação eficiente é o requisito para uma competição mais equiparada.

A classificação esportiva de atletas com deficiência sustenta o princípio do jogo limpo, viabilizando a estrutura da competição. Tem por objetivo garantir condições de igualdade nas competições, considerando-se o nível de comprometimento do atleta. Podemos considerar que a classificação do esporte paralímpico é dividida em: médica (oftalmológica), para deficientes visuais; funcional, para os deficientes físicos e classificação intelectual para deficientes mentais.

A classificação esportiva para pessoas com deficiência visual é a única atualmente determinada estritamente pela avaliação médica. O classificador deve ser um médico oftalmologista credenciado pela Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA). A avaliação se baseia em critérios estabelecidos na determinação da acuidade e do campo visual do atleta, de ambos os olhos, com a melhor correção (lentes de contato ou corretivas). Esta classificação esportiva é dividida em três categorias: B1 – Cegos totais; B2 – são deficientes visuais com baixa visão e B3 – deficientes visuais com um nível de visão maior.

A classificação intelectual é realizada para os atletas com deficiência mental, sendo feita por psicólogos ou médicos psiquiatras a partir de testes cognitivos.

Já a classificação funcional utilizada para deficientes físicos, está baseada na avaliação da força muscular, qualidade e quantidade de massa muscular, equilíbrio, destreza, habilidade esportiva, e é neste modelo de classificação que o fisioterapeuta faz parte da equipe para avaliar a funcionalidade, juntamente com o profissional de educação física que avalia a parte de técnica esportiva.

Cada esporte determina seu próprio sistema de classificação, baseado nas habilidades funcionais identificando as áreas chaves que afetam o desempenho para a performance básica do esporte escolhido. A habilidade funcional necessária independe do nível de habilidade ou treinamento adquirido. Nesse sentido, os números de classes são determinados de acordo com o respectivo esporte e possíveis habilidades funcionais em atletas com diferentes deficiências.

Torna-se então essencial que um atleta que compete em dois ou mais esportes
receba uma classificação diferenciada para cada um.

A necessidade de troca de classe precisa ser continuamente revista com base nas diferenças funcionais e na performance. As regras de classificação são parte das regras técnicas do esporte.

A partir da próxima semana poderemos assistir o maior evento da superação, pois, se ser atleta é se superar a cada momento, o que dizer de um paratleta? É treino, disciplina e dedicação em dobro — ou bem mais do que isso. Ser paratleta é viver o esporte de todas as maneiras possíveis e nunca imaginadas: usando as mãos, os cotovelos, o peito, o queixo, a cabeça e até mesmo os cinco sentidos.

Fonte: http://www.opovo.com.br