Irmãs paratletas se superam, participam de competição e emocionam mãe

Por Edson Gomes – Jornalista

“Estou muito orgulhosa das minhas duas filhas. Elas não desistem e têm um astral maravilhoso.” A declaração é de Morgana Brasil, mãe das paratletas Maria Eduarda Brasil Bastos e Marília Gabriela Brasil, após participação no I Festival de Paranatação da Federação Cearense de Desportos Aquáticos (FCDA) , realizado no Clube do Náutico na manhã do dia 15 de abril.

Maria Eduarda (12 anos) e Marília Gabriela (14) foram acometidas, três anos atrás, pela Síndrome Mitocondrial (doença genética que causa fraqueza muscular). Após indicação de uma amiga, Morgana decidiu levá-las para fazer natação com a professora Heloísa Stangier, da Associação D’eficiência Superando Limites (Adesul). “Aprenderam a nadar com a Heloísa. Hoje, elas amam a natação, e com o auxílio da professora estão se superando a cada dia. A Heloísa é demais, passa muita energia boa, é uma grande profissional”, reconhece a mãe, que não poupa elogios.

As meninas treinam há seis meses, dos quais quatro com a professora no Náutico. Para a mãe, contudo, foi o dia da competição que ficará para sempre na memória. “Foi incrível. Ver a Dudinha conseguir atravessar aquela piscina de 50m, sem parar, foi muito emocionante.” Além do desafio, da superação, tem ainda os benefícios para o corpo e a mente. “A natação me deixa mais forte. Depois que comecei a praticá-la passei a ter mais segurança”, afirma Maria Eduarda.

Já Marília Gabriela confidenciou, baixinho, que o seu estilo de nadar preferido é o de costas. As duas irmãs, que passaram a se locomover em cadeiras de roda depois da doença, cursam a 6ª série do ensino fundamental. Além da natação, gostam de cantar e dançar.

Não há limites para os que ousam

Ao todo, 73 paratletas competiram no evento naquela manhã chuvosa de domingo, um fato inédito na história da natação cearense. Foram dezenas de crianças, adolescentes e adultos do sexo masculino e feminino que mostraram garra, força e determinação nas raias da piscina. As competições tiveram início às 9h e terminaram por volta do meio dia.

NADANDO COMO GENTE GRANDE

Após o evento, Heloísa Stangier fez avaliação da competição e disse ter gostado do desempenho dos alunos. “Todas as nossas crianças baixaram o tempo, crianças que saíram da piscina pequena na última competição e nadaram como gente grande.”

Heloísa sempre muito carinhosa com todos os alunos

Ela também parabenizou a organização e o envolvimento de todos na iniciativa. “É o trabalho da Federação feito com equidade entre os convencionais e os paratletas, garantindo assim a mesma condição de arbitragem e estrutura (placas digitais, cronometragem eletrônica, e até o cuidado quando começou trovejar e relampejar). Além disso, não ouvi nenhuma reclamação dos pais dos atletas do BNB, Hedla, Ideal, Náutico. Foi um respeito enorme com todos”, observou.

Ainda conforme a professora, a I Paranatação foi um marco no Calendário Paralímpico da Federação, pois representou, para os mais antigos, “um sonho realizado” e, aos jovens, uma competição para revelar novos paratletas. “Muitos treinavam o ano todo para participar de um regional N/NE ou de um brasileiro escolar ou universitário. Agora, treinam também para este evento, evidenciando assim a eficiência dos nossos paratletas. Esse é o grande diferencial”, explicou.

E como a Heloísa não pára, aproveitou para informar que já está agendado o próximo evento, em 16 e 17 de junho. “Aí é briga de gente grande: Brasileiro Paralímpico no Náutico. Competição homologada pelo CPB. Os índices alcançados classificam para etapa nacional em São Paulo”, adianta.