Curso oferece vagas gratuitas para inclusão digital de pessoas com deficiência visual

Repórter: Francisco  José

A acessibilidade é um direito que garante às pessoas com deficiência a oportunidade de obter prestação de serviços, educação formal, capacitação e inclusão social. Importante ação nesse sentido, em Fortaleza, é o Curso Iniciação Digital para quem é cego ou possui baixa visão, que oferece 12 vagas gratuitas. O treinamento envolve uso do computador, noções de sistemas, pacote Office e navegação na internet.

As inscrições são feitas na Associação de Cegos do Ceará (Acec), rua Odilon Soares, 39, bairro Farias Brito, na Capital. Os telefones são 85 – 3281.6162 (Vivo), 98869.3110 (Oi) e 99600.9016 (TIM/WhatsApp). As exigências são que os participantes tenham domínio de digitação, concluído o Ensino Fundamental e sejam cegos ou com baixa visão.

As aulas ocorrerão na rua Major Facundo, 500, 12º andar (prédio do Cine São Luiz), Praça do Ferreira, no Centro. O início está previsto para o dia 2 de abril próximo e seguirá até 13 de junho deste ano, das 8h às 12h, nas segundas, quartas e sextas-feiras. Serão 30 encontros totalizando 120 h/a.

A capacitação é promovida desde 2014, pela Universidade do Trabalho Digital (UTD), da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Ceará, em parceria com a Acec, organização não governamental. Segundo o professor João Bosco de Farias, que trabalha na Associação e dá as aulas de informática, a UTD procurou a entidade, que elaborou a proposta do curso, cujo financiamento é feito pelo Estado.

Forma e conteúdo
O professor explica que o treinamento é feito com uso do software de leitor de telas NonVisual Desktop Access (NVDA), direcionado para pessoas cegas. “A gente faz tudo por meio do teclado. Não utilizamos mouse. Temos maneiras diferentes e termos específicos para ensinar.”

Sobre a exigência do domínio da digitação para fazer o curso de iniciação, ele afirma que é uma forma de facilitar a aprendizagem, porque é necessário saber digitar para aprender atalhos e teclas de comando. A Acec disponibiliza capacitação de digitação e, quando o aluno adquire certa autonomia, o encaminha à capacitação de iniciação. “Faz parte de projetos futuros criar um curso que englobe os dois treinamentos.”

Os computadores são os mesmos utilizados por pessoas que enxergam, com Windows, e os alunos têm aulas de Word, Excel, PowerPoint, navegação na rede e noções básicas de hardware (parte física do computador) e software (sistemas). “Então, são computadores normais e não utilizamos teclado Braille.”

A metodologia é quase a mesma, só diferencia pelo leitor (voz reproduz em áudio tudo o que aparece na tela), não uso do mouse e utilização de teclas de comando e atalhos do teclado, do leitor de tela e do Windows.

“A gente usa um adaptador que divide o som do computador. Os alunos ficam com fones de ouvido, e há uma caixinha com volume baixo para o professor e os monitores (que também têm deficiência visual) terem retorno dos computadores dos alunos. A gente precisa ouvir para saber o que eles estão fazendo, se precisam de ajuda”, reforça João Bosco.

Professor Bosco trabalha na Associação e dá as aulas de informática

Facilidades e autonomia
O professor disse acreditar que a iniciativa é voltada para o mercado de trabalho, mas em primeiro lugar tem a finalidade de melhorar o cotidiano das pessoas com deficiência visual. “A tecnologia, hoje, é muito importante. Muita coisa que a gente não consegue fazer fisicamente, no papel, seja em Braille ou em tinta, que a gente não tem acesso nenhum, a gente consegue por meio da tecnologia. Tanto na comunicação, no estudo, trabalho. Muita coisa se torna possível. Então, pode se dizer que, antes de tudo, o curso é direcionado para a vida social, seja no lazer, nos estudos, no trabalho, é bem abrangente.”

João Bosco destaca ainda que a inclusão digital traz autonomia. “Muita coisa se torna mais fácil ou mesmo possível de se fazer sozinho. Por meio da tecnologia, podemos ler conteúdo que nos interessa, um livro, visitar sites para estudar sobre algum assunto. Também permite a comunicação escrita entre pessoas com e sem deficiência. Toda essa infinidade de recursos que a tecnologia traz, que viabiliza a vida de pessoas sem deficiência, para os que têm limitação fica melhor ainda. Eu ter a possibilidade de sair de casa, sabendo direitinho o caminho que vou fazer. Posso traçar uma rota em aplicativo de GPS, de ônibus, solicitar carro para viabilizar minha mobilidade. É fundamental que uma pessoa cega se aproprie das tecnologias para ter mais autonomia e superar as dificuldades que o mundo impõe.”

Acessibilidade em hotéis
A Acec promoverá, no dia 7 de abril, o curso “Acessibilidade em hotéis, pousadas e similares: como atender à nova legislação”. O treinamento será das 9h às 13h, no Sesc Fortaleza (Galeria do Teatro), rua Clarindo de Queiroz, 1740, Centro. As inscrições ocorrem pelo WhatsApp (81) 99963.5096, com valores de R$ 70,00 (profissionais) e de R$ 35,00 (estudantes).