Clínica oferece terapia facilitada por cães para crianças com autismo

Com auxílio de um cão-terapeuta, a fonoaudióloga faz abordagem focada na linguagem, para a produção de sons na formação de palavras e frases de crianças e pré-adolescentes com Transtorno do Espectro Autista

Pesquisa dispõe de Terapia Assistida por Animais (TAA) gratuita para crianças e pré-adolescentes com autismo em Fortaleza. Coordenado pela fonoaudióloga Sâmia Góes, a partir da iniciativa de sua estagiária, Joice Albuquerque, o atendimento tem o objetivo de avaliar os benefícios da introdução do cão-terapeuta no processo da aquisição da linguagem em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda na infância.

As sessões semanais duram 40 minutos, no consultório localizado no Bairro de Fátima (endereço abaixo). Iniciado em março, o projeto irá até setembro deste ano, com abordagem voltada para a produção de sons na formação de palavras e frases. “Há pesquisas em outros estados, incluindo hospitais em São Paulo, que usam a metodologia”, explana.

“Abrimos, então, o espaço para avaliar o impacto no desenvolvimento tanto na interação como na fala dessas crianças”, disse a profissional. A Neurociência explica o autismo como faces cognitivas caracterizadas pelo o déficit da socialização e comunicação. Em decorrência disto, crianças com TEA têm o percurso do desenvolvimento mais demorado nestes aspectos.

Enredar-se horas com um único objeto, uma letra, uma cor. Crianças com autismo escolhem minuciosamente para onde demandar a atenção. Comportamento é chamado hiperfoco. Por isso, é difícil atrair o olhar do Eduardo Sousa, de 6 anos. Ele foi diagnosticado com TEA grau moderado ao leve.

A mãe, a maquiadora Ilana Sousa, de 30 anos, narra a descoberta. “Notamos na escola e o diagnóstico foi fechado quando ele tinha três anos”, lembra. Na sala da TAA, que foi incluída há um mês em sua rotina, ele se perde e se encontra nas brincadeiras. Num olhar compromissado, escolheu a letra “A” colada na parede, arrancou e não soltou mais.

Decidiu a roupa do animal, encucou que ela precisava se fantasiar da Minine – personagem da Disney – e verbalizou. Cada palavra e gesto comemorado pela mãe que assistia a sessão. Ora sim, ora não, a cadela chamava atenção do garoto. Apesar do pouco tempo de tratamento, a mãe do Eduardo já observa alguns avanços. “Ele tem evoluído. Ontem, falou uma frase completa. Ficamos em festa”, comemora.

Eduardo, a mãe e profissionais durante sessão de TAA (Foto: Mateus Dantas)

De acordo com o neurologista André Pessoa, a modalidade terapêutica é uma alternativa entre outras que pode viabilizar a socialização da criança com autismo. No entanto, deve ser analisada de acordo com o paciente.

“Tem que ver quem será atendido. Dentro das modulações, crianças com autismo podem demonstrar sensibilidade aumentada para sons e, se o cão latir, por exemplo, ter uma experiência negativa”, alerta.

Contudo, ele destaca que redirecionar o foco da criança com autismo de objetos inanimados e coisas abstratas possibilita a interação e formação de laços sociais e de empatia. “Mas é uma estratégia promissora e tem uma lógica neurocientífica, pois pode ativar áreas cerebrais associadas à socialização”, explica.

Saiba mais

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima há 70 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) no mundo.

Para tornar-se um cão-terapeuta, a cadela da raça Cocker Spaniel passou por adestramento.

Serviço
Terapia Assistida com cão-terapeuta
Onde: Clínica Samya, situada na Rua Guilherme Moreira, 299 – Bairro de Fátima
Quando: de segunda a sexta-feira, das 14h às 16h30
Quem pode fazer: crianças e pré-adolescentes, de até 13 anos, com autismo
Como participar: por meio de agendamento através do número (85) 3016-9998

Outro local que oferece atendimento gratuito para crianças com autismo:  Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep) -Rua Papi Júnior, 1225 – Rodolfo Teófilo (85) 3223-4522

Fonte: https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2018/05/clinica-oferece-terapia-facilitada-por-caes-gratuita-para-autistas.html